A marca foi fundada em 1845 por Don Jaime Partagás y Ravell, um imigrante espanhol. Ele estabeleceu a Real Fábrica de Tabacos Partagás no coração de Havana, um edifício que se tornou um marco na cidade. A visão de Don Jaime era criar charutos da mais alta qualidade, e para isso, ele adquiriu algumas das melhores plantações da famosa região de Vuelta Abajo, em Cuba.
Ele foi creditado por ter sido um dos primeiros a contratar leitores para entreter os torcedores (os enroladores de charutos) durante o trabalho, uma prática que se tornou uma tradição nas fábricas de charutos cubanas. A marca rapidamente ganhou reconhecimento pela sua qualidade, sabor e força, conquistando medalhas de ouro em diversas exposições internacionais.
Período Pós-Fundador e a Família Cifuentes
A história da Partagás tomou um rumo trágico em 1868, quando Don Jaime foi assassinado em uma de suas plantações. A empresa passou por alguns proprietários até que, em 1899, o banqueiro José A. Bances convidou Ramón Cifuentes Llano para ser seu sócio. Cifuentes, um experiente tabaqueiro, comprou as ações de Bances no ano seguinte e a Partagás se tornou uma marca da família Cifuentes.
Sob a gestão da família Cifuentes, a marca viveu seu período de ouro, expandindo sua produção e consolidando sua reputação global. Na década de 1950, a Partagás era a segunda maior exportadora de charutos cubanos, atrás apenas da H. Upmann, sendo responsável por mais de um quarto de todos os produtos de tabaco exportados de Cuba.
A Revolução Cubana e a Dupla Partagás
O cenário mudou drasticamente com a Revolução Cubana e a nacionalização de todas as fábricas de charutos em 1960. Ramón Cifuentes Toriello, filho do patriarca e então chefe da empresa, recusou a oferta de Fidel Castro para liderar a indústria de charutos do país. Ele fugiu de Cuba, tendo todos os seus bens confiscados.
Com isso, a marca Partagás se dividiu. O governo cubano continuou a produzir charutos Partagás em Cuba, sob a empresa estatal Habanos S.A., mantendo a tradição e o sabor robusto que a tornou famosa. Ao mesmo tempo, Ramón Cifuentes fez um acordo com a General Cigar Company, que passou a produzir charutos Partagás não cubanos na República Dominicana, com o intuito de atender o mercado americano, que estava sob embargo.
Hoje, existem duas versões da marca:
Partagás Cubana: Conhecida por seu sabor intenso, encorpado e terroso. É produzida com tabacos da região de Vuelta Abajo e é vendida globalmente, exceto nos Estados Unidos.
Partagás Não Cubana: É produzida com uma mistura de tabacos da República Dominicana, México e Camarões, e é popular nos Estados Unidos, com mais de 12 milhões de unidades vendidas por ano.
Entre as bitolas mais famosas da marca estão a Partagás Serie D No. 4, um robusto lendário, e a Partagás Serie P No. 2, um charuto em formato de pirâmide.
A história da Partagás é um testemunho da paixão pelo tabaco, da turbulência política e da capacidade de uma marca se reinventar e sobreviver, mantendo-se como um nome de peso no universo dos charutos.
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